31 outubro, 2005

Poluição veicular urbana


"Texto longo, mas muito bom"

Mônica Kofler Freitas (*)


O problema da poluição do ar tem constituído uma das mais graves ameaças à qualidade do ar da população nos grandes centros urbanos. Este problema é determinado por um complexo sistema que envolve emissões provenientes de processos industriais, transportes, queima do combustível industrial e doméstico, queimadas originadas de desmatamentos ou da indústria agro-açucareira, geração de energia elétrica, incineração, enfim, subprodutos que o desenvolvimento industrial pode propiciar.

A poluição do ar causada através do transporte tem sido considerada merecedora de estudo pelo fato da expansão da indústria automobilística. São crescentes as quantidades de automóveis, que freqüentemente poluem em escala bem maior do que seria absorvível pelo ambiente. Para se ter uma idéia, dados da CETESB - 2003 - mostram que 97% destes poluentes na Região Metropolitana de São Paulo são emitidos por veículos em circulação ou em processos evaporativos de seus reservatórios. Os veículos movidos à gasolina são responsáveis pela emissão anual de 790,2 mil toneladas de monóxido de carbono (CO), 84,2 ton. de hidrocarbonetos e 51,8 mil ton. de dióxidos de nitrogênio(NOx). Os veículos a álcool respondem por 211,5 mil toneladas de monóxido de carbono (CO), 22,9 mil ton. de hidrocarbonetos e 12,6 mil ton. de dióxidos de nitrogênio(NOx). Os veículos a diesel respondem por 444,4 mil toneladas de monóxido de carbono (CO), 72,4 mil ton. de hidrocarbonetos, 324,5 ton. de dióxidos de nitrogênio(NOx), 11,2 mil ton. de dióxidos de enxofre (SOx) e 20,2 mil ton. de materiais particulados. Não se esquecendo que, as motocicletas na Região Metropolitana de São Paulo, emitem anualmente 238,9 mil toneladas de monóxido de carbono.

Os impactos da poluição veicular vão além das fronteiras regionais, pois é uma fonte reconhecida de emissões que contribuem para o efeito estufa - aquecimento global. Segundo a organização não governamental Greenpeace "anualmente, cada carro joga à atmosfera uma quantidade de CO2 equivalente a 4 vezes o seu peso. E mais de 4 bilhões de toneladas de CO2 são emitidas por veículos da frota mundial."

Entretanto, as cidades com o crescimento cada vez mais rápido e desordenado sofrem modificações radicais no seu ambiente urbano, afetando a saúde dos seres humanos e animais, danificando a vegetação, deteriorando os materiais, afetando o clima, reduzindo a radiação solar e interferindo com a qualidade de vida. Os assentamentos espontâneos e o esparramamento geográfico de áreas residenciais, que se entende pelos novos loteamentos na periferia urbana, geram cada vez mais a necessidade do uso do veículo.

A necessidade da organização do espaço urbano também está aliada à qualidade ambiental. O Planejamento Urbano tem a principal função de estabelecer e indicar medidas, diretrizes e restrições para a ocupação e a correta utilização que este espaço pode gerar, impedindo que o crescimento desorganizado venha prejudicar o próprio desenvolvimento futuro para a nossa sociedade.

Através de estudos, existem evidências de que em subúrbios de menor densidade populacional as pessoas viajam maiores distâncias e com maior freqüência do que nas regiões mais compactas. Dados do National Travel Survey, do governo dos Estados Unidos, revelam que a demanda por viagens cresce rapidamente à medida em que as densidades caem para 15 pessoas por hectare e cai notadamente à medida em que a densidade aumenta para mais de 50 pessoas por hectare.

A especulação imobiliária que acontece pela supervalorização de áreas centrais, os grandes vazios urbanos mantidos como reserva de mercado imobiliário, a elevação do preço da terra em função de melhoramentos urbanos introduzidos, muitas vezes pelas próprias administrações públicas, fazem com que as camadas da população de poder aquisitivo se desloquem cada vez mais para a periferia, implicando na necessidade cada vez maior de viagens. Como também observa-se que o acesso à centralização de algumas atividades como shopping center e hipermercados só podem ser feito por veículos.

A poluição do ar também varia de região para região, dependendo da topografia e das condições meteorológicas, das disposições dos edifícios (altura e largura) e orientação da rua em uma determinada zona de intenso tráfego, isso faz com que a dispersão dos gases na atmosfera possa ter uma duração de apenas minutos, horas e até semanas. Na época de inverno, por exemplo, a dispersão é dificultada por causa da famosa inversão térmica. É neste período que na Região de São Paulo a CETESB promove algumas medidas de controle da poluição por veículos, com o intuito de minimizar as emissões. São as chamadas Operações de Inverno, onde o carro particular trafega em dias determinados nas vias conforme o número de sua placa.

Em outros países, o nível de controle é bem mais severo, através das fiscalizações de emissão de gás diretamente nos veículos e taxas de impostos sobre a emissão. Por exemplo, em Singapura, segundo Singapore Land Transport Authority, o governo introduziu um sistema inteligente, o pedágio eletrônico. Cada veículo tem um equipamento instalado, que é recarregado por cartão magnético com valores monetários. O equipamento instalado no veículo detecta ao passar por um sensor no piso da via, e descarregará um certo valor monetário, pois quem passar em horários de rush contribui com o congestionamento e maior poluição, e dessa forma cobra-se o pedágio pela passagem naquela via.

Controlar a poluição veicular constitui-se em grande parte desafio, sobretudo com a perspectiva de crescimento econômico que o país está passando neste momento. A frota brasileira vem crescendo em ritmo acelerado - em 2004 chegou a 22 milhões, sendo 17,9 milhões de automóveis; 3,087 milhões de comerciais leves; 1,17 milhão de caminhões e cerca de 258 mil ônibus.

Na Região Metropolitana de São Paulo, por exemplo, o número de veículos é da ordem de 6 milhões. Se considerarmos um comprimento médio de 5 metros por veículo, estamos falando de uma fila de veículos de 26.500 quilômetros, meia volta no nosso planeta. Na cidade de São Paulo, destaca-se no país apresentando o índice de 2,18 habitantes/veículos, equivalente a de países desenvolvidos como a Bélgica e Suécia.

É preciso esforços para formular estratégias coerentes para o controle da poluição do ar associada a ocupação e uso do solo urbano. Já é tempo de se começar a pensar em como serão as nossas cidades no futuro.

O monitoramento da qualidade ambiental é uma das ações de maior importância, mas mais do que isso, é a conscientização da população quanto aos problemas do meio em que vivemos. Para isso cada município deve desenvolver um sistema de gestão ambiental, desenvolver a sua Agenda 21, adotada pela Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, na Rio '92, visando a proteção ao meio ambiente e a qualidade de vida.

Aos municípios cabem as maiores responsabilidades, deveres e direitos para a obtenção de uma vida saudável ao cidadão. Este é o desafio.


* É arquiteta e urbanista

>>Pois é, um dos pontos em que eu sempre gostei de discutir, é que em nossas grandes cidades fossem adotadas politicas em torno dos transportes coletivos, que se fossem melhor dimencionado e racionalizado, seria um grande pulo para uma melhor quakidade de nossos ares como de vida...

2 comentários:

João Paulo disse...

muito legal seu texto, esclarecedor, só achei que tá muito longo, fica cansativo de ler, o que acha de dar um enxugada e publicar no cmi ? (www.midiaindependente.org)

vou adiciona-lo ao meu blog(jplab.blogspot.com)

abraço.

Anônimo disse...

Gostei do texto ... tudo a ver com a realidade ... Vc poderia me informar algum matéria teórico(livros)que eu possa pesquisar mais sobre o assunto ....
espero respostas .... ciceroaurelio@hotmail.com

obrigado